Quinta-feira, 28.04.11

    

Foste a chuva iluminada foste o frio
que se acendeu
nos lábios deste inverno. Agora
o calor voltou,
hei-de saudar na varanda
a primeira lua da primavera
e não haverá fagulhas verdes
nos olhos de ninguém, verás.

 

© soledadesantos



publicado por sol às 13:53 | link do post

Quinta-feira, 14.04.11

 

Que extraordinária bagagem trazemos do passado
quando já de um ponto alto podemos olhá-lo
com esse desdém carinhoso de que um dia nos falaram,
os gestos livres de intento,
os dedos ao sabor de não importa
que brisa desgrenhada.

E no entanto, tudo às vezes é uma aridez.
Tão complicados — remotos vulneráveis
como rapazinhos que não acabam de crescer.
 
 
© soledadesantos

 



publicado por sol às 19:06 | link do post

Quarta-feira, 13.04.11

 

De uns, prosseguir é destino,

de outros, aportar.

Nunca soube qual era o seu.

Qualquer terra extrema

acolhe o corpo forasteiro.

 

© soledadesantos



publicado por sol às 09:07 | link do post

Segunda-feira, 22.02.10

 

Investia duramente
mãos arranhadas
das silvas e da ternura dilapidada.
Investia sobre as palavras,
era a intempérie/a míngua 
a mais antiga das tempestades
que regressava.


 

© soledadesantos



publicado por sol às 23:49 | link do post

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